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Treinamento de Velocidade
por Brett Kirsey

Não é justo. Algumas pessoas simplesmente nascem velozes. Após anos estudando ciências do esporte, tive que aceitar que a dura realidade é que o desempenho esportivo assim como o desenvolvimento físico é primariamente determinado pelo seu DNA. Agradeça seu pai e mãe pelo presente de Fibras Rápidas (TIPO II) ou a falta delas. Isso significa que aqueles quem não foram assim tão favorecidos geneticamente devam desistir? De fato não. Apesar da genética ser o fator primário no desempenho de velocidade, ainda existem diversos outros fatores que podem aumentar seu potencial de velocidade. Técnica, tempo de reação, taxa de desenvolvimento de força, aceleração, força e potência muscular são variáveis que elevam a velocidade ao máximo.


A não ser no esporte, ser rápido não tem tanta importância. Claro que velocistas como Michael Johnson devem ser rápidos para vencer. Mas Michael Jordan também deve correr rápido para ganhar. Não nos esqueçamos dos jogadores de futebol americano, baseball, futebol,... Escolha um esporte, e eu aposto na velocidade como fator determinante. Como esses atletas treinam de maneira diferente das tradicionais séries de musculação que encontramos em diversas revistas e publicações da mídia? Pense em especificidade. Especificando, pense em utilizar movimentos no treino que estão em proximidade com a corrida, e execute esses movimentos de maneira que atinja as demandas energéticas apropriadas para seu esporte.  Focalize o treino nas suas fibras rápidas e deixe as fibras lentas pra lá! Seja específico a velocidade.


Correr na esteira ou pedalar  na bicicleta de spinning são excelentes atividades físicas, mas não te acrescentam em nada em melhorar sua velocidade de corrida. Se você quer correr rápido, então corra rápido. Utilize o movimento que mais se assemelha a sua atividade que queira melhorar. Outras atividades como pedalar não tem tanta transferência para a velocidade da corrida como correr propriamente. Na academia isso significa sair do banco de supino e ir pro rack de agachamento. Correr é primeiramente extensão do quadril. Agachamento é primeiramente extensão do quadril. Para ser mais específico você pode agachar uma perna por vez.  O melhor jeito de fazer isso é segurando um par de halteres nas mãos e subindo num step ou banco. O afundo também pode ser usado como exercício para a corrida, mas costuma ser menos explosivo. Para imitar a ação explosiva da extensão do quadril da corrida, tente exercícios como o arremeso do levantamento olímpico saindo com a barra do solo. Faça uso do levantamento Stiff para os músculos posteriores e exercícios de abdominal para força e estabilidade do tronco. É disso que se trata a especificidade mecânica.


A especificidade metabólica é o próximo passo para maximizar o desenvolvimento da sua velocidade durante os treinos. Seu corpo tem 03 fontes de produção de enegia:  sistem ATP-CP, metabolismo glicolítico e o oxidativo. O sistema ATP-CP fornece energia rapidamente e predominantemente em atividades de até 10s de duração. Por que um atleta querendo desenvolver a velocidade em modalidades que tenham corridas intensas e mudanças de direção (como futebol, basquete, baseball...) faz corridas extensas “aeróbicas” como correr 10 km? Não deveria. Isso vai contra a especificidade metabólica. Treine o sistema energético específico do seu esporte. A maior distância a ser percorrida no futebol é 100m, que deve durar menos de 15s. Quando treinando pra melhora a velocidade ou aceleração, utilize distâncias e tempos iguais ou menores ao seu esporte. A tabela 01 abaixo explica isso.


O  terceiro modo de melhorar sua velocidade é treinar focalizado na suas fibras rápidas. Essas fibras são estimuladas por atividades de alta intensidade e curta duração. Treinamentos com pesos de alta intensidade e repetições de sprints curtos irão estimular corretamente essas fibras. Igualmente importante é não estimular as fibras lentas ao mesmo tempo. Essas fibras não ajudam a melhorar a velocidade. Fazendo grandes séries de repetições (15 ou mais) ou correndo grandes distâncias corre-se o risco de converter as fibras rápidas intermediárias em lentas. Sendo isso um modo de diminuir sua velocidade.


As tabelas a seguir são um exemplo de um programa de 6 semanas para aumentar a velocidade. Pra cada modalidade deve-se variar as distâncias percorridas. Nesse exemplo utilizei uma distância intermediária (50m) como distância objetivo. Faça um teste antes e após e veja o quão rápido você ficou.

TABELA 01

SISTEMA ENERGIA

TEMPO EXERCICI0

ATIVIDADE-DESCANSO

ATP-PC

5-10 sec.

1:12-1:20

GLICOLISE

15-30 sec.

1:3-1:5

GLICOLISE+OXIDATIVO

1-3 min.

1:3-1:4

 

 

 

TABELA 02 --EXERCÍCIOS

Dia 1

Dia 2

Dia 3

Agachamento

Arremesso (solo)

Agachamento

Agacham. 1-perna

Stiff-Leg

Agacham. 1-perna

2º tempo arremesso

Remada Curvada

2º tempo arremesso

Abdominal

Abdominal

Abdominal

 

 

 

TABELA 3--VARIAÇÃO TREINOxCARGA

Semana

SetsxReps

Dia 1
(Pesado)

Dia 2
(Moderado)

Dia 3
(Leve)

1

3x10

85% 10RM

75% 10RM

70% 10RM

2

3x10

90% 10RM

85% 10RM

80% 10RM

3

3x8

80% 8RM

75% 8RM

70% 8RM

4

3x5

80% 5RM

75% 5RM

70% 5RM

5

3x5

85% 5RM

80% 5RM

75% 5RM

6

3x3

90% 3RM

85% 3RM

80% 3RM

 

 

 

 

 

TABELA 4—Treinamento Sprints (REPS/Atividade:Descanço)

Semana

75 m

100 m

150 m

1

5/1:15

4/1:12

5/1:7

2

5/1:15

4/1:12

5/1:7

3

6/1:15

5/1:12

6/1:7

Semana

20 m

35m

50m

4

5/1:20

4/1:15

4/1:12

5

4/1:20

3/1:15

3/1:12

6

3/1:20

2/1:15

2/1:12

 

 

 

 


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.: Brett kirsey , treinador de atletismo.

.: Pesquisador do instituto de ciências do esporte da Austrália - Artigo publicado em 2000.

 

 

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