Qual a capacidade física mais importante para o tenista?
por mark caldeira
Essa parece fÁcil, e de certa maneira É
Cabe salientar, no entanto, que nesse momento não vamos nos referir a detalhes das capacidades físicas, nem nas capacidades motoras, psíquicas ou nutricionais que influem direta e indiretamente no rendimento do nosso jogador. Vamos nos ater a um único aspecto dentro de uma gama de variáveis que interferem no desempenho atlético de um tenista.
O tênis pode ser classificado como uma modalidade esportiva de característica aberta e intermitente, uma vez que se intercalam estímulos e pausas, com constantes alterações nos ritmos de jogo, resultando na constante alternância de intensidades em uma partida.
Durante um confronto o jogador realiza repetidas vezes o mesmo gesto, tendo que faze-los da forma mais eficiente possível.
Temos que esclarecer que eficiência no tênis não resulta apenas do fato de não errar. Eficiência no tênis significa colocar a bola onde se quer, com o maior grau de dificuldade possível para o adversário, quantas vezes forem necessárias.
Independente de quanto se eleva a freqüência cardíaca ou o quanto se produz de lactato, os jogadores, mesmo os juvenis, devem ser rápidos e fortes, e devem repetir os mais variados esforços inúmeras vezes. Os jogadores têm que realizar constantemente mudanças de direções, pequenos saltos, e frenagens bruscas para alcançar a bola e se posicionarem perfeitamente em relação a ela.
Nesse sentido a capacidade anaeróbia alática é fator primordial para o bom desempenho em quadra, uma vez que a grande maioria dos pontos não dura mais do que 18 segundos, com grande exigência na movimentação e na potência com a qual se rebate a bolinha.
Tudo acontece muito rapidamente e de forma tão intensa que fica fácil afirmar que a capacidade do tenista em gerar potência e resistir à fadiga, de tal modo a poder repetir eficientemente seu jogo, é que determinará o seu sucesso. Ele deve conseguir correr, se esticar, pular, recuperar-se, sair para frente, para trás, para os lados, e imediatamente retomar seu ponto de domínio na quadra, sem perder o equilíbrio e o correto posicionamento do corpo em relação à bola, que alias deve ser rebatida a cada novo deslocamento de forma agressiva e precisa. Tudo de forma intensa e rápida.
Obviamente que estamos colocando situações de tênis em alto nível. Claro que há jogos que dão sono e que não exigem nada de velocidade, nada de potência, e nada de força. Claro que há jogos que exigem paciência, muita paciência tanto quanto pescoço forte e flexível para podermos acompanhar as longas idas e vindas das alturas realizadas pela bola.
Certamente que não preciso dizer que para aqueles que desejam o alto rendimento, o tênis tem que ser jogado desde cedo, de modo intenso, inteligente e eficiente. Talvez eu precise falar mais sobre isso, mas o farei em uma próxima ocasião.
Muitos profissionais e leigos, mesmo vendo jogos duríssimos e o grande desenvolvimento atlético ao qual estão sendo expostos os tenistas de alto nível, acreditam que a capacidade aeróbia é a principal capacidade física a ser desenvolvida por aqueles que querem vencer seus jogos. De fato e sem dúvida alguma, a capacidade aeróbia tem papel importante no tênis. Mas seu papel se limita basicamente a:
Oferecer melhores condições ao jogador de se recuperar eficientemente entre os repetidos esforços e entre as sessões de treino/ jogos, e;
Permitir que o jogador suporte grandes volumes de treinamento.
Talvez, uma ou outra consideração acerca da importância da capacidade aeróbia para o tenista deva ser feito, mas qualquer que seja ela, é indiscutível que os níveis de força, em suas diferentes manifestações é que ditarão as porcentagens de chances de um tenista obter ou não sucesso em sua carreira esportiva.
Além disso, há a questão do treinamento concorrente que será objeto de nosso próximo artigo.
O fato é que saque forte, backhand ou forehand potentes, velocidade nas pernas, estão diretamente relacionados à capacidade do tenista gerar e manifestar força. Claro que a condição aeróbia será fundamental para a repetição eficiente daquele gesto, contudo a componente resistência de força será mais específica nesse caso que a própria capacidade aeróbia.
Obviamente que não me refiro, simplesmente, àquela força computada durante o levantamento no supino, no agachamento ou em outro qualquer exercício. Refiro-me à capacidade do jogador, durante a execução de seu gesto técnico, conseguir mobilizar eficientemente o sistema neuromuscular de tal forma a empreender seu melhor esforço naquele gesto específico.
Traduzindo!
Costumo dizer, e talvez já o tenha feito em algum dos meus artigos anteriores, que a excelência esportiva é a técnica. Não basta apenas ser rápido, forte ou resistente para ser um bom tenista. Não conseguiríamos transformar o Karl Lewis em número um da ATP, assim como não faríamos com o Lance Armstrong ou o Dorian Yates.
Para conseguirmos manifestações eficientes de força, velocidade e resistência específicas, qualquer que seja a modalidade esportiva, é em primeira, segunda e última análise, a condição técnica que determinará o grau de eficácia do atleta.
Então, a força a qual quero fazer menção é aquela que conseguimos desenvolver concomitantemente à sua aplicação no gesto técnico específico. Para alcançá-la precisamos necessariamente oferecer ao nosso jogador uma base sólida naqueles exercícios básicos - supino, agachamento, rosca, etc. – a partir disso, devemos conseguir transferir e desenvolver essa força da maneira mais específica dentro da nossa modalidade esportiva.
Resumindo a nossa idéia e conceito de treinamento para o tenista:
Devemos buscar a excelência em termos de resistência de potência, que por sua vez dever ser baseada em uma ótima condição de força específica obtida a partir de uma sólida condição de força geral.
E como vamos fazer isso?
Que tal se eu disser que daremos algumas dicas em futuros artigos!
Mãos a obra e bom trabalho.
------------------------------------------------------------------------ .: Mark Caldeira, preparador físico e consultor esportivo
.: Atua com vários juvenis e profissionais de destaque, dentre eles Thiago Alves e Nanda Alves.
.: pós-graduado em treinamento esportivo e fisioliogia
.: sócio da R&M Empreendimentos Esportivos.
.: contato: mark@sportsrm.com.br
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