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fisioterapia esportiva: Treino de estabilização do CORE: conceito e prática!

Caros amigos,

Para inciar essa série de artigos, comentarei um pouco sobre as técnicas de estabilização do CORE, muito utilizada pela fisioterapia como prevenção e tratamento para as mais diversas desordens músculo-esqueléticas e também, como uma importante ferramenta para a melhora da performance dos atletas das mais variadas modalidades.

Existem diversas nomenclaturas para a mesma técnica, porém todos se referem a uma descrição genérica do controle muscular abdômino-lombopélvico necessário para estabilizar a coluna lombar e proporcionar estabilidade funcional de todos os segmentos corpóreos. O complexo do CORE tem sido descrito como um conjunto de 29 músculos que trabalham de uma forma coordenada visando a estabilidade lombo-pélvica. É nesse grupo muscular que se tem o centro de gravidade e onde se inicia todo e qualquer movimento que se realiza tanto com membros superiores como em membros inferiores.Pouco adianta ter músculos das extremidades fortes se o CORE é fraco, pois esta força não será capaz de gerar um movimento eficiente dos membros. Um CORE fraco é problema fundamental de movimentos ineficazes, o que predispõe à ocorrência de lesões. Por outro lado, um CORE com bom controle, força e resistência proporciona uma base estável para que o corpo consiga realizar qualquer tipo de movimento de uma forma equilibrada, coordenada e com uma melhor funcionalidade. Isso tudo pode contribuir para um melhor rendimento dos mais diversos gestos esportivos.

Para que isso ocorra, é necessário a estabilização da região lombo-pélvica. Essa estabilidade é proporcionada por elementos passivos através de estruturas ósseas e ligamentares e por elementos ativos, os músculos.

Recentes estudos tem demostrado a importância de alguns músculos (em particular o transverso do abdômen e os multifídeos) e demais músculos do complexo do CORE para a otimização da estabilidade e performance. Esse conjunto muscular tem sido dividido em dois importantes grupos. O primeiro se refere aos músculos superficiais ao redor da região abdominal e lombar (reto abdominal, paravertebrais e oblíquos externo). Estes possuem em sua maioria fibras de contração rápida e um grande braço de alavanca possibilitando o desenvolvimento de um grande torque auxiliando nos movimentos mais grosseiros de aceleração e desaceleração do tronco. O segundo grupo se refere aos músculos profundos e intrínsecos da parede abdominal (transverso do abdômen e multifídeo) que estão associados com a estabilidade segmentar da coluna lombar durante os movimentos e onde o ajuste postural é requisitado. Diante do exposto, um treino de estabilização mais apropriado seria encontrar exercícios que incorporassem uma relação sinérgica entre os grupos musculares profundos e superficiais afim de se otimizar a eficácia do treinamento.

Porém, antes de se iniciar algum tipo de treinamento, é necessário que o atleta seja submetido à uma criteriosa avaliação, para que sejam determinados os desequilíbrios musculares, a força e resistência do CORE, o controle neuromuscular e o funcionamento das cadeias cinéticas de membros inferiores e superiores. Esse treinamento é apenas iniciado após a correção de eventuais alterações articulares e musculares.

O primeiro estágio para o treino é ensinar o atleta a estabilizar a parede abdominal através de uma adequada força e controle desse grupo muscular. Essa é a base para se progredir para outros exercícios, já que nestes, o atleta deve ser capaz de realizar essa contração de forma conjunta aos exercícios. Esse início deve ser realizado em um ambiente mais provocativo que possa ser controlado pelo atleta. Deve ser seguido um plano contínuo de progressão, para que ocorra o desenvolvimento sistemático do indivíduo, ou seja, de nada adianta pular etapas sem que antes o indívíduo tenha pleno controle do exercício anterior.

O programa deve ser continuamente evoluído com a alteração de qualquer uma das variáveis: plano de movimento, amplitude de movimento, cargas, posição do corpo, grau de controle, velocidade de execução, nível de feedback, duração e freqüência.

Além do treinamento específico para a estabilização do CORE, existem programas que seguem alguns princípios básicos da técnica. Dentre eles pode-se citar o Pilates, Yoga (apenas algumas formas) e o Tai Chi Chuan.

No nosso próximo artigo irei demonstrar a aplicabilidade dessa técnica com ilustração de alguns exercícios praticado para o aperfeiçoamento do complexo do CORE. São algumas sugestões de como aplicamos esse conceito no dia-a-dia da fisioterapia.

Espero contar com vocês. Até breve.

Referência bibliográfica

Fredericson M; Moore T. Core stabilization training for middle-and long-distance runners. New Studies in Athletics. 2005; 20:1; 25-37.

Richardson C; Jull G; Hodges P; Hides J. Therapeutic exercise for spinal segmental stabilization in low back pain: scientific basis and clinical approach Edinburgh (NY): Churchill Livingstone: 1999.

Akuthota V, Nadler S F. Core Strengthening. Arch Phys Med Rehabil. 2004; 85(3 Suppl 1): S86-92.

Leetun D T; Ireland ML; Willson JD; et al. Core stability measures as risk factors for lower extremity injury in athletes. Med Sci Sport Ex. 2004; 926-934.

Marshall PW; Murphy BA. Core stability exercises on and off a Swiss ball. Arch Phys Med Rehabil. 2005; 86; 242-9.

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.: DR. Edgar Issao Fujii, fisioterapeuta esportivo

.: Fisioterapeuta residente do Centro de Traumato-Ortopedia do Esporte (CETE/EPM)

.: Graduado pela UFSCar e Pós-Graduando em Fisioterapia do Aparelho Locomotor no Esporte da Universidade Federal de São Paulo do Departamento de Ortopedia e Traumatologia (UNIFESP/EPM)

.: edgarfuji@hotmail.com

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