Fisiologia: creatina quinase e suas implicações práticas!
Por admin em 01/03/2010 | Comentários 4
A enzima creatina quinase (CK) têm sido amplamente utilizada como marcador indireto de dano muscular (Clarkson e Hball, 2002; Nozaka e Newton, 2002), além de alguns técnicos e preparadores físicos utilizarem a CK como um marcador de desgaste físico do atleta. Esta enzima têm sido relacionada principalmente em lesões musculares decorrentes da fase excêntrica do exercício, podendo permanecer aumentada em até 7 dias após a realização de um esforço (Brancaccio et al, 2007; Bruunsgaard et al, 1997). Exercícios de força de alta intensidade (Uchida et al 2009; Nosaka e Newton et al 2002) ou atividades cíclicas que envolvam alto volume (Toft et al, 2000; Nieman, 2001) têm sido associados a maiores aumentos da CK quando comparado com intensidade e volume moderados.
Esta enzima é “famosa” entre os profissionais que trabalham com esportes de alto rendimento. Em uma rápida busca em um site de esportes com a palavra creatina quinase (http://busca2.globo.com/Busca/globoesporte/?query=creatina%20quinase) foram encontradas varias reportagens sobre a utilização desta enzima na preparação física de clubes de futebol, demonstrando a importância desta na preparação física atual. Interessantemente, nessa mesma página foram encontradas diferentes aplicações da CK no âmbito esportivo, sendo citado até mesmo que a CK era utilizada antes de partidas de futebol para se verificar as condições do atleta e até mesmo barrar o atleta para o jogo, dependendo do resultado. Porém existem diversas variáveis a serem consideradas quanto a utilização desta enzima como marcador de dano muscular ou estado de treinamento. A seguir irei discorrer sobre algumas dessas variáveis:
Concentrações basais: Atletas costumam ter as concentrações de CK elevadas durante o período de preparação e de competições, devido ao fato de sempre estarem treinando. É interessante verificar os valores basais dessa enzima quando estes estiverem de férias ou em períodos sem sessões de treinamento, para poder comparar com períodos de treinamento intenso.
Variabilidade: Uma das variáveis a serem consideradas quanto à prescrição desta enzima é a variabilidade nas respostas da CK entre indivíduos. Dentro de um mesmo grupo, com indivíduos de características semelhantes, podemos ter uma grande variação da CK. Isto deve ser levado em consideração quando se compara indivíduos de uma mesma equipe, por exemplo.
Pico de CK: O pico de CK é geralmente encontrado depois de 48 horas de um esforço intenso, podendo estar alterado até 7 dias após a realização de um esforço físico (Uchida et al, 2009; Brancaccio et al, 2007; Bruunsgaard et al, 1997; Barquilha et al, 2009). Esse é um fator que com certeza atrapalha e muito a utilização desta enzima como marcador de estado de treinamento de um atleta ou equipe em uma periodização. O ideal é que quando se utilize a CK como algum tipo de marcador de estado de treinamento do individuo (antes de uma prova, em uma avaliação física, reapresentação em seu clube, entre outras situações) o atleta esteja a pelo menos uma semana sem praticar nenhuma atividade física, pois em um período menor do que este a resposta da CK pode estar alterada devido a ultima sessão de treinamento realizada pelo atleta.
Estado de treinamento: O nível de treinamento também é importante quando se utiliza a CK. Indivíduos sedentários têm uma maior probabilidade de aumentar a concentração desta enzima após a realização de um esforço físico do que indivíduos treinados que realizem o mesmo esforço. Existe também um fenômeno denominado efeito protetor da carga, que indica que o treinamento sistemático diminui o dano muscular, ou seja, se você faz um esforço hoje, você terá um dano muscular maior do que se você repetir o mesmo esforço daqui a algum tempo (Lieber et al, 2002).
Diferença entre os gêneros: Em valores de repouso e após a realização do exercício, a CK tende a ser menor em mulheres quando comparado a homens. Este de deve pela ação do estrogênio, um importante fator de proteção da estabilidade da membrana após o exercício. Este hormônio evita o extravasamento da CK (Brancaccio et al, 2007).
Outras interferências: Indivíduos com alguma injúria ou patologia podem fornecer um falso resultado, ou seja, os valores de CK podem estar aumentados. A temperatura ambiente e o gênero também podem interferir
Vantagens com o uso da CK
Um dos efeitos negativos do dano muscular é a diminuição da força e potência, além de uma possível sensação de dor muscular. Dentro de uma periodização, temos diferentes sessões de treinamento, envolvendo força, potência, hipertrofia, entre outras. Ter uma idéia de qual a magnitude do dano muscular decorrente de diferentes sessões de treino pode ser interessante, principalmente antes ou durante uma competição. Outro aspecto positivo da CK é na modulação do sistema imunológico, sendo que aumentos abruptos desta enzima podem mudular negativamente o sistema imune.
Considerações finais
A enzima CK pode e deve ser utilizada durante o período competitivo de um atleta ou de uma equipe, sendo um bom marcador. Porém, a interpretação dos resultados desta enzima é muito complexa, sendo necessário um amplo estudo sobre esta antes de seu uso, para evitar possíveis interferências que possam prejudicar sua interpretação.
REFERÊNCIAS
Barquilha, G.; et al. Treinamento crônico de força em atletas profissionais de hockey in line: estudo da lesão, inflamação e força. In: 13º simpósio internacional de atividades físicas do rio de janeiro, 2009, Rio de Janeiro. Revista de Educação Física, 2009. v. 147. p. 77-77.
Brancaccio P, Maffulli N, Limongelli FM. Creatine kinase monitoring in sport medicine. Br Med Bull. 81:209-30. 2007
H Bruunsgaard, H Galbo, J Halkjaer-Kristensen, T L Johansen, D A MacLean, and B K Pedersen. Exercise-induced increase in serum interleukin-6 in humans is related to muscle damage. J Physiol. n.15, p.833–841, 1997.
Clarkson PM, Hubal MJ. Exercise-induce Muscle Damage in Humans. Am J Phys Rehabil, 81:52-69, 2002.
Lieber RL, Shah S, Fridén J. Cytoskeletal disruption after eccentric contraction-induced muscle injury. Clin Orthop, 403:S90-S99, 2002.
Nieman, David C., Dru A. Henson, Lucille L. Smith,Alan C. Utter, Debra M. Vinci, J. Mark Davis, David E. Kaminsky, and Max Shute. Cytokine changes after a marathon race. J Appl Physiol 91: 109–114, 2001
Nosaka, K., Newton, M., & Sacco, P.Delayed-onset muscle soreness does not reflect the magnitude of eccentric exercise-induced muscle damage. Scandinavian Journal of Medicine and Science in Sports, 12, 337–346, 2002.
Toft, Anders Dyhr, Mette Thorn, Kenneth Ostrowski, Sven Asp, Kirsten Møller, Susanne Iversen, Claus Hermann, Sisse Rye Søndergaard, and Bente Klarlund Pedersen. N-3 polyunsaturated fatty acids do not affect cytokine response to strenuous exercise. J Appl Physiol 89: 2401–2406, 2000
Uchida, MC., Nosaka, K, Ugrinowitsch, C, Yamashita, A, Martins Jr, E, Moriscot, AS.; Aoki, MS. Effect of bench press exercise intensity on muscle soreness and inflammatory mediators, Journal of Sports Sciences,27:5,499- 507, 2009
Prof. Mestrando Gustavo Barquilha
.: Membro Pesquisador do Instituto de Ciências da Atividade Física e Esporte da Universidade Cruzeiro do Sul (UNICSUL).
.: Bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
Filed Under: Fisiologia & Nutrição
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Parabéns pelas as informações contida no site ,poi sou leigo no assunto mais entendi tudo que foi comentado valeu e um grande abraço,pois é disso que precisamos informações claras.
Olá, gostei do assunto abordado e gostaria de cita-lo em uma pesquisa, este artigo foi publicado em alguma revista ou esta em algum banco de dados de artigos científicos?
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Olá Marcelo
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Prof. Mestrando Gustavo Barquilha